Vinte soluções para as famílias resistirem à crise
Saiba onde pode cortar no orçamento
familiar e quais as melhores opções para pôr o dinheiro a
render.
Bárbara Barroso
Muitas famílias já estão a sentir os efeitos
da crise na sequência também da subida das taxas de juro e do
aumento dos preços dos combustíveis. Com o orçamento quase
estrangulado, alguns portugueses já estão endividados e têm
mesmo de apertar o cinto para conseguirem pagar tudo. Entre a
prestação da casa e do carro, cartões de crédito, alimentação e
transportes torna-se difícil saber onde é possível cortar nas
despesas.
O Diário Económico deixa-lhe algumas dicas sobre onde pode
poupar e como poderá rentabilizar o seu dinheiro. Descubra
quais são as melhores opções de investimento no actual contexto
económico e financeiro.
1. crédito à
habitação
Renegociar o ‘spread’ é uma das forma para conseguir reduzir a
prestação da casa. Argumente que já amortizou parte do
crédito e que tem sido cumpridor dos seus compromissos. Mostre
simulações de outras instituições financeiras e se o seu banco
não oferecer melhores condições transfira o seu empréstimo. Mas
tenha atenção às comissões de transferência. Se o seu banco,
para lhe reduzir o ‘spread’, sugerir que subscreva um produto
verifique se compensa. Isto porque, se a prestação baixar 20
euros mas o novo produto lhe custar, por exemplo, 25 euros por
mês, está a perder dinheiro. Alargar o prazo do empréstimo é
outra das forma de baixar a prestação. No entanto, esta solução
deve ser um último recurso. Isto porque, ao prolongar o prazo
está a aumentar o período de pagamento de juros e, no final do
prazo, acaba por pagar mais pelo empréstimo da casa.
2. despesas da casa
É possível reduzir a factura da água, luz e gás com
alguns pequenos gestos. Utilize lâmpadas fluorescentes e
desligue os aparelhos, pois em modo ‘stand by’ gastam energia.
Abra as janelas e aproveite o horário de verão para ter luz
natural até mais tarde. Reduza o tempo do banho e opte por
duches rápidos, desligando sempre a água quando não a está a
utilizar. E faça uma simulação no site da EDP para verificar
qual o tarifário que se aplica melhor ao seu caso.
3. transportes
Partilhar o carro com colegas do trabalho permite-lhe dividir
gastos e, por isso, gastar menos dinheiro. No entanto, deixar o
carro em casa é sempre a opção mais barata. Com o preço médio
da gasolina a rondar os 1,518 euros por litro, e no caso do
gasóleo os 1,428 euros por litro, quem atesta o carro
duas vezes por mês gasta 227,7 euros em gasolina ou 214,2 euros
em gasóleo. Tendo em atenção que, por exemplo, o passe (L1) em
Lisboa – que combina metro, autocarro, comboio e barco – custa
38,30 euros, ao optar pelos transportes está a poupar entre 175
e 190 euros mensais.
4. cartão de crédito
Livre-se do cartão de crédito. Em tempo de crise o que menos se
quer é acumular dívidas, sobretudo com juros elevados. Se tiver
uma poupança aproveite para amortizar a dívida do cartão de
crédito. Pois mesmo a ganhar 4% ao ano num depósito, com uma
dívida cujos juros são de 20%, está a perder dinheiro, uma vez
que está a pagar um juro mais elevado ao banco do que o banco o
remunera a si.
5. clubes e ginásio
Se é daqueles que só se inscreve no ginásio a partir de Março,
por causa do verão, cancele a sua assinatura. Sempre são cerca
de 50 euros mensais que poupa. Aproveite os jardins e a praia
para correr e fazer exercício. É uma solução saudável para si e
para a sua carteira.
6. comunicações
Nos dias de hoje a Internet e o telemóvel são quase uma
extensão de cada pessoa. Mas mesmo sendo imprescindível é
possível reduzir os custos. Se apenas vê cinco ou seis canais,
por que razão precisa do pacote completo de canais.
Utilize as mensagens sempre que compense e aproveite o ‘site’
da Anacom para simular qual o tarifário mais adequado nas
chamadas móveis.
7. comissões
bancárias
Requisição de cheques, transferências bancárias e consultas de
extractos são algumas das operações que a maioria da
pessoas utiliza. Em vez do balcão, opte pelo ‘Internet banking’
ou pelo multibanco. Em alguns casos a poupança é considerável,
uma vez que as operações que até apresentam um custo ao balcão
saem a custo zero através da Internet.
8. supermercado
Faça uma lista antes de ir às compras e, sempre que possível,
opte pelas marcas brancas. A diferença pode parecer pouca,
inicialmente, mas acaba por poupar alguns euros. Por exemplo,
um carrinho cheio que represente uma conta de 300 euros, poderá
ficar por 200 euros, substituindo alguns produtos.
9. almoçar e jantar
fora
Ponha o preconceito de lado e comece a levar o almoço para o
trabalho. Vai ver que, ao final do mês, não vai sentir vergonha
quando tiver conseguido poupar mais de 200 euros. Sempre que
possível opte por jantar em casa, as refeições fora são um
gasto supérfluo que deve ser dos primeiros a cortar.
10. Seguros
Renegociar o seguro do carro ou mesmo mudar de seguradora pode
representar um poupança anual considerável. Reavalie a sua
situação. Algumas seguradoras ‘on-line’ oferecem preços
bastante convidativos, com poupanças face às restantes que
chegam a ser superiores em 150 euros.
11. Férias e
entretenimento
Esteja atento às promoções. Planeie com antecedência e compre
viagens através da Internet – que oferece planos mais
económicos. As companhias ‘low cost’ são uma boa opção.
Aproveite praias e jardins perto de casa para os passeios.
Informe-se sobre espectáculos e concertos gratuitos. Se tem
assinaturas de revistas que não lê, cancele-as. Se fuma e está
a adiar para deixar o vício, esta pode ser uma boa altura –
sempre são cerca de 100 euros que poupa por mês.
12. Consolidar os
créditos
Juntar todos os créditos num pode já ser a única solução para
algumas famílias. Prestação da casa, carro, crédito pessoal e
cartões são aglomerados numa só prestação. Esta solução poderá
representar uma poupança de até 60%. Por exemplo, num caso em
que a soma das prestações todas seja cerca de 1.900 euros,
consolidando os créditos num só pode passar para cerca de 760
euros mensais. Mas no final acabará por pagar mais, uma vez que
créditos de curto prazo como o caso do crédito automóvel ou o
cartão de crédito são diluídos no tempo. Apenas devem recorrer
à consolidação as famílias cujo orçamento já esteja esgotado e
os rendimentos não sejam suficientes para fazer face às
dívidas. Os casos devem ser analisados individualmente, pois se
compensa para umas famílias o mesmo não acontece para
outras.
13. Certificados de
aforro
Nos últimos meses a rentabilidade dos certificados de aforro
tem aumentado, na sequência da subida da Euribor – o indexante
utilizado no cálculo da rentabilidade dos certificados. Este
mês, a taxa de rendibilidade fixou-se em 3,966%.
14. Depósitos a
prazo
Com o aumento dos juros, os bancos oferecem também taxas
superiores nos depósitos a prazo, podendo esta ser uma
oportunidade para pôr o seu dinheiro a render. Segundo os
últimos dados do Banco de Portugal, em Abril a taxa de juro
praticada nos novos depósitos a prazo foi de 4,13%, um aumento
de 0,13 pontos percentuais em relação aos 4% do mês
anterior.
15. Acções
As bolsas têm vindo a acumular perdas consideráveis desde o
início do ano, com muitos títulos a tocarem mínimos. Com alguns
títulos baratos, esta pode ser uma boa altura para comprar,
numa óptica de investimento a médio/longo prazo, para que o
risco seja diluído no tempo.
16. Imobiliário
Foi no mercado imobiliário que a crise começou. Mas também é
sabido que os cenários de crise criam oportunidades e o
imobiliário é uma delas. Para quem tem capital, este pode ser
um bom investimento no longo prazo. Existem também fundos
imobiliários que permitem ganhar com a valorização do mercado
imobiliário mas com o risco mais diluído.
17. Matérias-primas
O ouro e o petróleo são conhecidos como refúgios em alturas de
maior incerteza. Uma vez que o crude tem vindo a renovar
máximos históricos e prevê-se que continue a subir, investir em
petrolíferas ou fundos com exposição ao petróleo pode ser um
bom.
18. Volatilidade
A volatilidade está instalada nos mercados financeiros. Num dia
as acções estão em alta e no dia seguinte em mínimos: uma
autêntica montanha-russa imprópria para cardíacos. Em vez de
apanhar sustos com as subidas e descidas, faça da volatilidade
uma fonte de rendimento. O fundo CAAM Volatility Euro Equity
comercializado pelo ActivoBank7 e Banco Best está a ganhar no
último ano 15%.
19. Inflação
O aumento da inflação é quase inevitável, por isso, se não é
possível evitá-la, invista nela. O Parveste Global
Inflation-Linked Bond L, comercializado, pelo Banco Best,
investe na inflação e nos últimos 12 meses está a ganhar mais
de 11%.
20. Fundos de
investimento
Os fundos de investimento permitem diversificar o investimento
e reduzir o risco. Por essa razão, e de acordo com o seu
perfil, poderá optar por um fundo mais conservador ou até mesmo
agressivo. Consoante os activos que componham a carteira a
rendibilidade pode ser atractiva. Mas não deve fazer do passado
a história do fundo. Lembre-se que rendibilidades passadas não
são garantias de ganhos futuros.
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